quarta-feira, 19 de maio de 2010

Dei um tempo.

Sabe, dei um tempo.
Quero dizer... uma brecha de horas contadas
semanas anotadas, quinzenas passadas.
Dei uma pausa, sabe?
Cansei de sentimentalismo
enjoei de carinho, beijinho, amorzinho.
De chorar no cantinho e ser um ser tão 'inho'.
Cansei de escrever sobre ser só
sobre paixão, coração e solidão.
Cansei de dizer que amo em vão.
Então dei um tempo, uma pausa, uma brecha.
Um curto período de tempo
até sentir falta do brega.
Até querer amar de novo
Ate sentir vontade de sentir
de amar um outro alguém e me ferir.
Aí, sim, volto a escrever.
Volto a dizer que amo meu bem-querer
Depois digo que o odeio e quero esquecer.
Até novamente me cansar de amar
e pausar mais uma vez de escrever,
o que o pensamento deseja dizer.


Por Psy O.L

sábado, 15 de maio de 2010

Eu-bar

Enche mais um copo
talvez dois ou até três
e se depois o maldito telefone não tocar,
ela me esqueceu;
traga-me mais seis.
Se tocar e eu só sorrir,
traga seu whisky mais forte
aquele que na primeira tragada vai me desiludir.
Se eu o arremessar na parede
Desce aquele foguinho paulista
pra diluir o ódio
da maldita telefonista.
Se eu não atender, desce água
da bica do bar
fecha a conta e me traz o troco
pra comprar um cigarro que não gosto de fumar.
Se eu só chorar, desce pinga com mel, conhaque e gim
Para tira-gosto aquele clássico mirabel
feche a conta e chame um táxi pra mim.
Mas se eu atender, rir e depois chorar
aí, prepara outra comanda
Pois com certeza ela me deixou
e vou beber até me acabar.


Por Psy O.L

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Narcisismo

Fora em uma noite de inverno, que a vi.
Quase inevitável reparar na sua presença.
Improvável sua beleza, não ser notada.
Então a olhei.
E seus olhos estapiavam os meus,
e tão cintilante era aquele olhar
que por tanto tempo não pisquei
E quase que por apenas uma lágrima, chorei.
Tão linda era, que me apaixonei.
E seus olhos mergulhados em mim
Meus olhos olhando seus lindos fios de cabelo
Curtos, lisos, castanhos e caídos.
A pele quase branca.
Pele de criança.
Rosto de inocência.
Sincronizadamente, fixadas
Nos olhávamos. Nenhuma palavra surgia.
Então o frio daquela noite
Sugeriu que ela fosse minha companhia
E eu, apaixonada e fixada
tomei um passo a frente, e ela dois.
Queria a mim, com eu a ela.
E a cada passo, o palpite do coração
De tão forte, machucava meu peito.
Quanto mais perto dela eu chegava,
Mais o ex barulhento banheiro, ficava quieto.
Então enfim cheguei próximo daqueles lábios
Daquele rosado, quase avermelhado
Que brilhava em saliva
depois que a língua macia, deixou-o molhado.
Fechei os olhos, lancei minha boca.
Mas não a beijei. Tinha entre nós um sólido
uma parede gelada de vidro.
Até que enfim abri os olhos desapontados
E o desejo por ela, em mim, desesperado
Então uma voz soou
e por trás, me alertou:
- Fidalga menina,
O que há de tão doce no espelho
Para que faça com que o beije?


Por Psy O.L

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Por ventura, apaixonei-me.

Estava eu parada. Estatelada observando a imagem que reluzia flashes de pura ternura e beleza. Eu já esquecera que fora até o velho portão enguiçado receber as entregas da festa. Não vi o entregador chegar com as tralhas, não vi o carro subir o pedregulho a minha frente. Mas vi a divina imagem de uma que matou quase toda minha percepção visual. Eu só conseguia vê-la parada sob o poste de luz fraca amarelada que iluminava e até espalhava claridade por aqueles longos fios lisos de cabelo castanhos claros caídos sobre o rosto da divindade que ainda sem nome, denominei amor.
A luz não parava de iluminar e meus olhos não desvidravam daquela esbelta pequena criança, que me parecia na verdade, a tal Afrodite. Era linda e tão bela que não coube tanta beleza em meus olhos. Ardeu. E lacrimejei.
Os formatos daquele corpo esculpido a nível tão alto que nem Aleijadinho chegaria perto de tal perfeição. As curvas daquela obra de arte cobertas por uma bermuda em jeans claro cheia de bolsos e correntinhas entrelaçando de um lado a outro daquela cintura detalhadamente desenhada. Da cintura ao peito, uma blusa preta com detalhes abstratos em lantejoulas cobria a carne dos seios que ritmavam a respiração afobada.
Em seus pulsos, algumas pulseiras e mais correntinhas. Em seu pescoço um fino cordão de prata com pingente em L. E o rosto. Pintado em um quadro sem réplicas, aquele singelo rosto de pele morena, fino, liso. Livre de qualquer defeito. Tinha na face as carnes daqueles lábios brilhosos que parecia hipnotizar minha atenção clamando pelos meu lábios junto a eles. Aquele pequeno sorriso esbramquiçado entre aquela boca, que por tanto desejo de tocá-la aguava a minha, era tão puro e ingênuo que parecia um mar onde queria eu, poder afogar-me lá.
Naquela face tinha também os olhos em tom de mel, pequeninos meladinhos que refletiam a imagem da minha ficção.
Era Afrodite. Era Deusa sem nome que ousei chamar de amor. Era a linda Beatriz do meu paraíso. Era musa Cleópatra de minha nação. Amazona rainha que mandara dali em diante, em meus campos, Dama da noite que embeleza e perfuma seu redor a luz do luar. Era ela o sol, e eu senti-me como pequeno heliotrópio que sempre voltava-me em sua direção.
O entregador estalou dedos. O carro buzinou... Eu não ouvi. A Deusa sem nome com codinome amor, me olhou e sorriu. Dominada em razão de um amor platônico, eu gelei. A morena gargalhou. Eu estremeci. A morena caminhou até mim. Eu suei frio. A linda definição de perfeição tomou em suas mãos o embrulho do entregador. Eu tentei falar e gaguejei. Ela entregou-me o pacote:

- Isso é seu, né?
- É...
- Chamo-me Linda, e você?
- Um ser que acabou de apaixonar-se sem perceber.


Por Psy O.L

quarta-feira, 28 de abril de 2010

E mais saudades...

Se antes a dor era minha inspiração,
hoje ela é tanta que já nem respiro mais.
Já não rimo palavras bonitas,
pois agora já nem encontro tais.
Estou sem palavras, sem escrita e sem você.
Vejo um papel em branco
e quero manter-lo em branco quando a tempos
eu iria escrever.
Sem fôlego, sem vida, sem cor.
E agora que você partiu de vez,
Só me resta estar saudosa de seu amor.
Amor meu. Babaca que insiste em tentar te esquecer.
Pensamento estúpido que se acha capaz de não reviver.
Mas revive toda noite, todo dia, toda tarde
esses pequenos rastros memoráveis
que é o abismo da saudade.
Sim! Nuca sua que sinto falta de beijar.
E a cada sonho com seu rosto
Eu despenco chorando ao acordar.
Então matem-me na vida para que eu viva no sonho.
Para enfim dormir em uma poça de sangue
e poder beijar seu lábio risonho.
Ah! Que saudade, minha menina mimada!
De ouvir-te xingar-me ao pé do ouvido
E eu ainda assim te chamava de amada
e desejava naquela hora que o tempo tivesse sumido.
Não sumiu, minha linda criança.
E passou por cima de nosso 'nós'
Agora vivo tentando sufocar minha esperança
e não morrer tão só. E só.
Só quero que lembre de todas cartas que te dei.
Todas aqueles 'eu te amo' sinceros
E que sempre a esperarei.
Sim. Ainda pulsa. Ainda te espero.
Ainda espero-te singela no mesmo lugar que fiquei.


Por Psy O.L

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Saudades, amor

Tenho saudade.
Saudades, amor.
Esse estranho corpo conhecido
que aqui dentro brasa.
Estranho sentimento saudável
que causa dor.
Companheiro do meu peito
Desde que te vi voltar pra casa.
Saudade que corrói
Falta sua que me dói
Pele sua que me falta
Na boca minha
que se sente vaga.
Nuca sua que minha língua quer provar
Beijos seus que sinto falta de beijar
Os apertos, os abraços
que sinto falta de abraçar
e os meus dedos perdidos
sentindo falta de te tocar.
Então vou sentindo um vazio.
Uma ausência de você
que vou deixando queimar.
Aí, minha boca saliva na vontade
Enquanto meu corpo não cansa
de por seu corpo clamar.


Por Psy O.L

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O meu tal mal

Está aqui dentro. Presente no meu sangue, esboçado em minha pele, ausente em meu rosto. Mas esta aqui e já não há como fugir. Atestado de óbito assinado, creio eu. Ora! Como pude ser fraco, tão cego? Inocente até que me provem o contrário. Porém provem rápido. O mais agil possível. Não tenho tanto tempo assim. Não tenho mais tempo pra mim. O meu sangue, deste tal mal, está repleto. Agora, a respeito deste tal, estou inepto. Já não há o que fazer a não ser observar o meu corpo enfraquecer, o meu rosto esbranquiçar. Minha carne vai emagrecer e pela fraqueza, a morte vai me vencer.
Vou ver o meu organismo desistir, fraquejar, sucumbir. E meus queridos amores, irão encher-me de remédios, esperançosos em ver-me melhorar. Médicos, tentarão de tudo, para manter-me aqui. Não adianta, meu queridos. Não adianta tentar. Meu corpo vai desistir. É dor demais pra se aguentar. Por fim, irei partir ao meu coração falhar.
Descuidei-me da vida e vos imploro perdão. Lhes súplico que não me odeiem e que fiquem ao meu lado. Fui estúpido, eu sei. Mas um estúpido sábio, que não soube dizer não. Um abraço, um beijo e em consequência, tesão. Ah! Se eu resistisse a ela! Seria eu puro até então. Mas não. Dei-me por inteiro de carne e alma naquela mão. Ah! Se eu fosse um pouco mais cuidadoso... Não daria-te assim meu coração. Não sofreria a ponto de deixar-me de lado, nem daria-me por inteiro a tal paixão. Dei-me e com tudo, abandonei-me na dor. Sem doenças, sem aids, nem nada. Eu vou mesmo é morrer de amor.

Por Psy O.L
Também em: Zelotipia Doentia