quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ela é

Ela é o amor que eu sinto falta.
Mas não sinto saudade;
Amor que eu amo.
Mas odeio;
Amor que eu trancafio.
Mas dou liberdade;
Amor que eu escondo.
Mas escancaro.

Ela é o amor que faz mal.
Mas me faz bem;
Amor que tem minha atenção.
Mas que trato com desdém;
Amor, que me faz louca, insaciável.
Mas que mantem-me sã e saudável;
Amor que é minha vergonha.
Mas que me orgulho de sentir;
Amor ao qual sou infiel.
Mas sou incapaz de trair.

Ela é o amor que eu amo.
Mas não quero;
Meu amor mentiroso.
Mas sincero.

Por Psy O.L

terça-feira, 20 de abril de 2010

Fases

Já lutei. Com toda força,
eu gritei.
Eu a perdi, mas não aceitei.
E com todas as armas eu briguei.
Porém, ela teve de ir e eu fiquei
em prantos sem acreditar
que não a segurei.
Então eu neguei. Não aceitei
que a culpa foi minha.
E a ignorei.
Fingi que não mais a amava
e por muito pouco, não acreditei.
Enfureci-me quando desiludi-me
de tudo que falei.
Senti-me culpada ao mentir
que a odiei.
Então, pedi perdão no silêncio
em uma das noites que virei.
Senti a dor na consciência
de fingir que a superei.
Aí, aceitei. Bati no choro
de meu peito e solucei
que não a esqueci
e sei que nunca esquecerei.
Pra enfim aceitar
o que por muito tempo me enganei.
Agora aceito que a amo
como sei que sempre a amei.
Como sei que sempre a amarei.

Por Psy O.L

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Suicídio a longo prazo

Fecho a porta na cara da felicidade
Fecho as trancas
e não quero ninguém aqui.
Enquanto eu encho e ao mesmo tempo
esvazio copos,
enquanto eu fumo algum cigarro
e escrevo votos.

Não vou mentir.
A minha garganta esta seca
E me falta ar, me falta ar
É, eu tive coragem de assumir
Mas vou me manter assim até você voltar

Entenda amor,
que essa do meu lado é só um caso.
E que faz tudo parte
do meu suicídio a longo prazo.

É, vou ter que continuar
mesmo virando noites
socando portas.
Mesmo quebrando a casaa de madrugada.
E vou dormir
relembrando de você me dando as costas.

É, amor...
Vou me destruir pra variar.
Vou vivendo esse suicídio a longo prazo
até enfim, você voltar.

Por Psy O.L

sábado, 17 de abril de 2010

Ah! Amizade...

Ah! A simplicidade da palavra amizade
Tem a virtude de poucos chamada lealdade.
Ah! Amizade... Amizade tem saudade.
Tem nessa singela palavra,
Bar até mais tarde,
Noites em claro conversando sobre bobagens,
Conversas sérias que acabam numa risada,
toda a seriedade.
Amizade tem instabilidade.
Tem briga, tem perdão.
Amizade vive na quase pura ingenuidade
De dormir em um abraço e não sentir tesão.
Amizade tem tempo. No tempo, saudade.
Ah! Saudade! Me deixa sempre na vontade...
Sempre querendo abraçar,
falar sobre alguma banalidade.
Amizade é tarde de tédio no condomínio vazio.
É um porre de vinho barato,
É saber que não vai correr sozinho
Quando fugir de pagar um boteco.
Amizade é ouvir 'paquetá amanhã?'
Arrumar uma mochila
e acordar cedo pela manhã.
Amizade são três anos, dez minutos
uma hora.
Eu sei, mãe... amizade de bar acaba
Então conta pra galera
que do bar eu não vou embora.

Por Psy O.L

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Não amar ninguém

É a dádiva dos fracos
O esconderijo dos medrosos
não amar ninguém é ser opaco.
Medroso com coração fraco.

Sou forte. Eu amo alguém.
e morro de pena de quem não ama ninguém.

É respirar amor e não sentir a narina queimar.
É saber que o coração bate
e não sentir o seu pulsar.
Não amar ninguém é tolice
É armadura de papel pra quem foge de sofrer
É burrada, esquisitice, maluquice
É viver brincando de viver.

Eu tenho sorte. Eu amo alguém.
E me sinto vazia quando não amo ninguém.

É desejo dos hipócritas
Realidade dos piscicopatas
Não amar ninguém é furada
É existir vazio, nunca ter ninguém,
é ser um nada.

Não temo a morte. Eu tenho sorte. Eu amo alguém.
E aprenderia amar se não amasse ninguém.

Por Psy.

Agora tambem em: Zelotipia Doentia

quinta-feira, 8 de abril de 2010

"Rebeijo"

Eu sei como é estar fragilizada,
precisar de carinho,
de um colo confortável momentâneo.
Então vem pro meu colo criança
fingir que é amada.
Vem. Vou por minha chavezinha
em teu pescoço.
Vou cantar no seu ouvido
uma balada apaixonada.
Vou sussurrar como eu costumava fazer.
Terminar cada música beijando sua boca.
Ah! vou relembrar em cada beijo, o prazer
de ter sobre a cama do seu quarto
seu corpo branco sem roupa.
E vou replanejar aquele encontro ao por-do-sol
que não aconteceu.
Aquele em que em seu dedo eu colocaria o anel
que na minha gaveta por
tanto tempo, envelheceu.
Não seria "Quer casar, quer comigo pra sempre ficar?"
Seria algo mais despojado
Só uma amostra de compromisso
pra você usar.
Seria só um símbolo que eu comprei
guardei na gaveta e não liguei.
Deixei no cantinho empoerando
esquecido, que depois do teu "rebeijo"
Relembrei.

sábado, 3 de abril de 2010

Zelotipia

Sabe quando afrouxa sua cabeça
naquela outra perna
e se faz calma e terna?
Sabe quando em seus lábios abraça
aquele lábio trigueiro
enquanto nosso quimérico amor,
tu disfarças?
É nessas horas que me vejo em um bisalho.
Apertado, abafado.
De fiapos dolorosos, faço um agasalho
que expreme o peito desconsolado.
Aí, o peito abandonado se martiriza
criando a utópica ideia de um futuro.
Futuro que não se concretiza
Platônico que não se materializa
Não se realiza.
É vendo da penumbra, o seu passar,
que se esgueira a seco e ardente
o azedume em minha traquéia
E quando a queimação na garganta
começa a passar
Vem repassando o ciúme
e minha sanidade despenca
feito no mar, apinéia.
Minha vontade é de esmurrar
a face do trigueiro
Vontade de desfacelar o abelhudo
que se esvai no mel alheio.
Zelotipia fria, sim.
Egoísmo de não querer te dividir
Desculpa amor, mas zelotipia é assim.
É amordaçar o amor
mesmo depois de ele partir.